A mudança nas práticas alimentares é uma das medidas mais eficazes de prevenção. Mesmo depois do diagnóstico os cuidados devem ser mantidos

“Infelizmente, muitas pessoas só se dão conta da importância da alimentação depois do diagnóstico de câncer. Aí, procuram mudar de hábitos. Mas os estudos mostram que o papel mais importante da dieta é na prevenção”, observa a nutricionista Ana Carolina Cantelli. “Mudar os hábitos alimentares melhora o prognóstico do paciente. Ele tem uma melhor resposta ao tratamento, vive mais e tem menos chances de recidiva ou de um segundo câncer. Há estudos mostrando que o ômega-3, por exemplo, ajuda no tratamento de quem já tem o câncer”, exemplifica Andréa.
Uma dieta baseada em frutas, verduras, legumes e grãos têm sido tradicionalmente recomendada pelos médicos como forma de reduzir o risco de desenvolver o câncer. O princípio básico é que o desenvolvimento do câncer depende, com frequência, de um microtumor encontrar condições favoráveis ou desfavoráveis para crescer. É aí que entram os alimentos: alguns têm características que fomentam o câncer, outros podem desacelerar o processo.
A nutróloga Andréa Pereira observa que as pesquisas sobre o efeito preventivo de certos alimentos ainda gera controvérsia, mas os indícios de que eles podem trazer benefícios já justifica a inclusão no prato. “Há trabalhos mostrando que a curcumina, presente na cúrcuma, diminui o risco de câncer. O licopeno, encontrado no tomate e nas frutas vermelhas, tem ação preventiva. Muitos estudos ainda estão sendo feitos, mas com base nos indícios existentes há certos alimentos que podem ter um papel importante na prevenção e que seria interessante introduzir na dieta”, diz Andréa.
Especialistas do mundo todo não têm dúvidas em afirmar que os hábitos alimentares estão profundamente relacionados ao desenvolvimento de vários tipos de câncer. A Organização Mundial de Saúde (OMS), o Instituto Nacional de Câncer brasileiro (Inca), o Instituto Nacional do Câncer norte-americano e o órgão britânico de pesquisa em câncer coincidem em apontar a mudança da alimentação das pessoas como uma das medidas mais importantes de prevenção. Estima-se que entre 30% e 60% dos casos poderiam ser evitados com uma dieta apropriada.
Nas últimas décadas, a incidência dos tumores cresceu e passou a atingir grupos mais jovens, avanço que coincidiu com uma mudança sem precedentes na alimentação da humanidade. Houve um incremento espantoso no consumo de açúcar e alimentos processados, que passaram a incluir doses maciças de gorduras trans e produtos químicos. A agricultura e a pecuária também se transformaram para ganhar produtividade: disseminaram-se os pesticidas, enquanto os animais passaram a receber hormônios e outras fontes de alimento para crescer mais rápido. Tudo isso mudou o que nos chega ao prato. E muitos especialistas acreditam que colaborou para nosso risco de ter um câncer aumentar.
Fonte: Gazeta do Povo





